
O baú sozinho
A vida registra.
Retratos velhos
De gente esquecida
E tempos idos
Na solidão doída...
A mente brilhante
Já nada registra
E os olhos sem vida
Já não percebem
Nem o baú,
Nem os retratos
E a própria vida...
A doença adormeceu
Os neurônios ativos outrora.
O tempo esgotou
A energia perdida.
Baú, retratos, gente e vida:
Nada mais a mente registra.
E diante da porta
Ou na janela debruçada,
Os olhos sem viço
Contemplam indiferentes
O casal que passa,
A árvore florida,
O gari que limpa
A bela avenida...
As fotos do baú
Guardam a beleza,
A alegria e a vida
Que a mente já não registra.
Qual criança sem noção
De tempo e realidade
Os olhos só veem
Objetos e gente
Num triste olhar ausente.
E aqueles que tanto amou
Sofrem e choram
Sem saber
Se em algum recanto
Da mente adormecida
Existe ainda algum
Lampejo de vida
Ou saudade dos dias
Tão belamente vividos...
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