
Dois dedos de prosa
No momento letárgico
Da tarde morna
Que lenta se esvai
A vida pára
Lá no sertão.
O chão em brasa
A boca seca
O suor que escorre...
A criança chora
Na noite vazia
E na casa escura
Com fogo apagado
Os dias correm
E os olhos se viram
Com a eterna esperança
Para um céu azul.
Cachorro esquelético
Na tarde morna
Apenas dormita
E a prosa é triste
“Será que chove?”
“Sei não...”
E a prosa morre
No silêncio doído
Da gente sofrida
Do pobre sertão
Que vira notícia
De jornal e televisão
Notícia logo esquecida
Como aquela gente
Sem afeto e pão.
Amanhã o jornal noticia
A chuva que chega
E tudo vira inundação
Na água se perdem
Panelas vazias
Sonhos e casebres se vão.
Vida é coisa besta
Festa e alegria
Dor e pranto...
Com a colheita
O riso e o pão.
E, depois, tudo se repete
Como num triste refrão.
Isto é vida?
Sei não...
Mas sertão também tem
Ipês floridos, bromélias e alecrins
Poços e cascatas escondidas
Frutos suculentos e saborosos
Que alimentam a gente da terra
E extasiam aqueles
Que por lá vão.
Tem festa de igreja
E santos de devoção
Tem cantos plangentes
De gente que sabe
Rendar e celebrar a vida
Que sempre renasce
Como flor em botão.
Querida Lu
ResponderExcluirConsegui plastificar toda a beleza,
que só uma poetisa,que vive aqui é capaz de transformar em versos o que de belo, seus olhos
são capazes de captar.
abraços e beijos Romildo e Daniel